Concertos de Outono | Carmina Burana
- Datas
- A carregar sessões e disponibilidade…
- Local
- C. Cultural Vila Flor · Braga · PT
- Bilheteira
- BOL
A carregar sessões e disponibilidade…
Descrição oficial
A Orquestra de Guimarães regressa à principal sala de espetáculos da cidade para um encontro que afirma o lugar da música orquestral na programação municipal. Profundamente ligada a Guimarães, a formação dá continuidade a um trabalho de proximidade com o território, reunindo músicos e público em torno da escuta partilhada e da experiência singular de um concerto ao vivo. Nesta quarta residência artística da temporada de 2026, a Orquestra de Guimarães sobe ao palco do Grande Auditório do Centro Cultural Vila Flor sob a direção do seu maestro titular, Vítor Matos, para a interpretação de Carmina Burana, de Carl Orff. Associa-se a este projeto o Coro Sinfónico da Lapa, dirigido por Filipe Veríssimo, e os Jovens Cantores de Guimarães, sob direção de Janete Ruiz, contando ainda com as participações solistas de Bárbara Barradas, João Terleira e Tiago Amado.
CARMINA BURANA
No princípio está a roda. Gira sem desígnio, eleva e derruba, e a ela se agarram reis, prelados e mendigos, todos igualmente entregues ao capricho de Fortuna. A imagem atravessa a Idade Média em iluminuras, sermões e cantigas, e é dela que Carl Orff parte para uma das obras mais reconhecíveis do século XX.
O manuscrito que lhe deu o nome foi reunido no século XIII e conservado durante séculos no mosteiro beneditino de Benediktbeuern, na Baviera. Redescoberto em 1803 e publicado em 1847, o códice reúne mais de duas centenas de poemas, na sua maioria em latim, com passagens em alto-alemão médio e alguns versos em francês. Atribuem-se aos goliardos, designação larga que abrange clérigos itinerantes, estudantes, monges e poetas cujo nome se perdeu. A matéria é tudo menos devota: a chegada da primavera, o vinho, o jogo, o corpo, a sátira aos costumes do clero. Orff escolheu vinte e quatro destes textos, ordenou-os segundo uma lógica que é dramática antes de ser filológica, e cercou-os pelo mesmo hino à deusa, ouvido à entrada e à saída.
Ao tempo da composição, entre 1935 e 1936, Orff era sobretudo conhecido como pedagogo. Fundara em Munique uma escola onde música e movimento se ensinavam em conjunto, e do trabalho aí desenvolvido nasceria o Schulwerk, hoje difundido em todo o mundo. A par disso, dedicara-se à música antiga, editando Monteverdi e dirigindo repertório coral de Bach. Carmina Burana, estreada na Ópera de Frankfurt a 8 de junho de 1937, reúne estas três experiências: o sentido de cena, o domínio das massas vocais e uma confiança quase infantil no poder do ritmo. O êxito foi imediato e de tal ordem que o compositor retirou de circulação quanto escrevera até então.
A linguagem musical é de uma simplicidade deliberada. Harmonias longamente imóveis, ostinatos que se repetem sem se desenvolverem, escalas modais que evocam o canto da Igreja, melodias breves confiadas a vozes que se movem quase sempre em bloco. A orquestra, vasta, com dois pianos e uma bateria de percussão invulgarmente rica, serve menos o colorido do que o acento da palavra. Nenhuma das melodias é medieval: Orff não transcreveu, imaginou. O resultado não é uma reconstituição, mas uma invenção arcaica, e é essa ambiguidade que lhe dá a estranheza que ainda hoje conserva.
O percurso é claro. Fortuna Imperatrix Mundi abre com o coro que se tornou património comum, timbales e vozes em uníssono sobre uma nota que não cede. Segue-se Primo vere, onde o degelo é menos metáfora de ressurreição do que promessa física, e a secção em língua alemã Uf dem Anger, com danças instrumentais e cantos de roda. In taberna muda por completo de registo: a cólera de um barítono, o lamento agudíssimo de um cisne que assa no espeto, um abade que invoca um santo padroeiro dos jogadores, e por fim o rol implacável dos que bebem, em que ninguém fica de fora. Cour d'amours é a secção mais extensa e a mais variada, alternando o desejo declarado com a contemplação silenciosa da dama inacessível. As vozes infantis abrem-na e voltam a ouvir-se quando Amor sobrevoa o mundo. Depois de Blanziflor e Helena serem saudadas nos termos reservados às litanias marianas, a roda regressa e tudo recomeça.
Orff permaneceu na Alemanha durante o regime nacional-socialista e nunca se filiou no partido. A obra, porém, foi programada e instrumentalizada por um poder que nela reconheceu o que lhe convinha: a massa, o gesto simples, a evocação de uma Idade Média idealizada. O episódio é matéria de debate entre biógrafos e não se resolve numa nota de programa. Fica antes como advertência: nem sempre um compositor governa o destino da sua música, o que a própria Fortuna, afinal, já dizia.
BARBARA BARRADAS
Bárbara Barradas nasceu em Lisboa. Estudou canto e piano na Escola de Música do Conservatório Nacional e, como bolseira da Fundação Gulbenkian, prosseguiu a sua formação na Guildhall School of Music and Drama, em Londres, onde se diplomou com distinção. Ganhou vários prémios nacionais e internacionais, incluindo o Prémio Bocage do Concurso de Canto Luísa Todi (2005) e o 2.º Prémio da Guildhall Aria Award Competition (2009). Foi finalista no Concurso Leyla Gencer de 2012. Em 2014 recebeu o Prémio Donizetti (papel principal em Lucia di Lammermoor) no concurso “Grandi Voci”, em Salzburgo.
No domínio da ópera, interpretou, entre outras obras: Rigoletto (Gilda); D. Giovanni (Donna Anna e Zerlina); A flauta mágica (Rainha da Noite); Dido e Eneias (Belinda); Tição Negro (Branca), de Augusto Machado; As bodas de Figaro (Barbarina), com o Coro e a Orquestra Gulbenkian; Il viaggio a Reims (Delia), de Rossini, e O gato das botas (Princesa), de Montsalvatge, no Teatro Nacional de São Carlos; Carmen (Frasquita), no Woodhouse Festival (Reino Unido). Participou também nos projetos Flanders Operastudio e enoa.
Em concerto e recital, atuou em vários palcos em Portugal e no estrangeiro, incluindo: Fundação Gulbenkian, Centro Cultural de Belém, Fórum Luísa Todi, Ronnie Scott‘s Jazz Club e St. James Theatre (Londres), Henley Festival, Glyndebourne Chorus Opera Festival, Oper im Berg Festival (Salzburgo) e deSingel (Antuérpia).
JOÃO TERLEIRA
João Terleira é um tenor português radicado na Alemanha, afirmando-se como uma das vozes mais promissoras da sua geração. Especializado no repertório lírico ligeiro, sobretudo em Rossini, Mozart e bel canto, destaca-se pela elegância vocal, musicalidade e solidez técnica. Foi distinguido no Concurso de Canto Lírico da Fundação Rotária Portuguesa, reconhecimento que confirmou a qualidade do seu percurso e o relevo do seu talento.
Em 2019, estreou-se no Rossini Opera Festival como Cavaliere Belfiore em Il viaggio a Reims, marco inicial da sua projeção internacional. Desde então, tem desenvolvido carreira sobretudo em teatros de ópera alemães, apresentando-se também em salas como o Teatro Nacional de São Carlos, a Casa da Música e o Musikverein de Viena, onde tem consolidado o reconhecimento da crítica e do público.
Formado na Escola Superior de Música e Artes do Espetáculo, no Porto, e na International Opera Academy, em Gante, integra desde 2019 o ensemble do Theater und Orchester Heidelberg. Entre os próximos compromissos destacam-se a Paixão segundo São João, de Bach, em Erl, e La Resurrezione, de Händel, no Musikverein de Viena.
ANDRÉ BALEIRO
André Baleiro iniciou a sua formação musical e vocal aos dez anos de idade no Instituto Gregoriano de Lisboa. Após frequentar o Curso de Direção Coral e Formação Musical na Escola Superior de Música de Lisboa, deslocou-se para Berlim para estudar Canto na Universidade das Artes, com Siegfried Lorenz, Axel Bauni e Eric Schneider. Em 2016 ganhou o Concurso Internacional Robert Schumann, em Zwickau, na Alemanha – um dos mais prestigiados concursos na área do Lied –, bem como o Concurso de Canto Lírico da Fundação Rotária Portuguesa, em Lisboa.
André Baleiro colabora regularmente com a Ópera de Câmara de Munique, onde se estreou em 2016 no papel de Figaro (O barbeiro de Sevilha) e em 2014 se apresentou no papel principal da nova produção Kaspar Hauser (música de F. Schubert e libreto de D. Wilgenbus). Outros papéis de destaque incluem: Don Parmenione (L’occasione fa il ladro de Rossini) no Teatro Pérez Galdós, em Las Palmas; Conte Belfiore (Fra due litigante de G. Sarti) e Capitaine (Les trois Souhaits de B. Martinu) no Uni.T (UdK Berlin); o papel principal em Ainda não vi-te as mãos (2011) de Ayres d’Abreu, no Teatro Municipal de Santarém; Caporale (Il cappello di paglia di Firenze de Nino Rota) e Pantalone (Turandot de Busoni) no Teatro Nacional de São Carlos.
Da sua atividade de concerto destacam-se a Paixão segundo São Mateus, de J. S. Bach, na Fundação Gulbenkian, a cantata Dona nobis pacem, de Vaughan Williams, no Teatro Nacional de São Carlos, Um Requiem Alemão, de Brahms, na Salle Métropole de Lausanne, e o Requiem de Fauré, no festival La Folle Journée, em Nantes e em Tóquio.
Apresenta-se regularmente em recital na Alemanha e em Portugal com diversos pianistas, de entre os quais se destacam João Paulo Santos e David Santos pela longa colaboração. Em 2015, no Piano Salon Christophori, em Berlim, interpretou o Italienisches Liederbuch de Hugo Wolf, acompanhado pelo pianista Eric Schneider.
Foi bolseiro da Fundação Walter & Charlotte Hamel em Hannover e da Fundação Calouste Gulbenkian em Lisboa.
CORO SINFÓNICO DA LAPA
Fundado em 1998 pelo Cónego António Ferreira dos Santos e apresentado formalmente à comunidade no Ano Bach (2000), o Coro Polifónico da Lapa é uma das mais prestigiadas formações corais portuguesas dedicadas à música sacra. Ligado à Igreja da Lapa, no Porto, desenvolveu uma intensa atividade litúrgica e concertística, apresentando-se regularmente em algumas das mais emblemáticas igrejas e salas de concerto de Portugal e de Espanha. Composto por cerca de 100 coralistas, o seu reportorio abrange grandes obras da música coral sinfonica, apresentando-se regularmente em salas e igrejas de referencia.
Desde 2002 é dirigido pelo maestro Filipe Veríssimo.
JOVENS CANTORES DE GUIMARÃES
Iniciado em 2011 pela Sociedade Musical de Guimarães e dirigido por Janete Costa Ruiz, os Jovens Cantores de Guimarães são um projeto de educação artística com extensão à comunidade que proporciona a jovens entre os 8 e os 18 anos a vivência da música coral como veículo de aprendizagem musical e de expressão e crescimento individual. Reconhecidos pela sua excelência artística, pedagógica e pela regular presença em palcos nacionais e internacionais, os Jovens Cantores de Guimarães assumem-se como um projeto de referência no panorama coral juvenil português, promovendo a formação musical, o trabalho coletivo e o desenvolvimento artístico dos seus integrantes.
- Duração
- 1 h 5 min
- Classificação etária
- Maiores de 6 anos
- Bilhete pago
- A partir dos 3 anos
- Entrada permitida
- A partir dos 3 anos
- Morada
- Av. D. Afonso Henriques, 701, 4810-431 Braga, PT
A compra é feita através da bilheteira indicada
Da nossa parte, só observamos e organizamos a informação. Não reservamos nem compramos bilhetes por ti. A disponibilidade pode mudar depois de te enviarmos o aviso.