Matadouro
- Período anunciado
- de 12 de novembro de 2026 às 21:00 a 21 de novembro de 2026 às 21:00
- Local
- AMAS-Aud.Mun.AntónioSilva · Lisboa
- Bilheteira
- BOL
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Descrição oficial
Paula, uma jovem podcaster de Lisboa, chega de Portugal para documentar o trabalho dos funcionários do matadouro Socopa-Viandes em Coutances, na Normandia. No entanto, o motivo principal da sua viagem à região é encontrar o seu primo, que vive a poucas horas de distância e com quem está em contacto há vários meses. Paula tem raízes francesas por parte da mãe. Na casa do primo, tudo é acolhedor: uma sala de estar acolhedora, porcelana, um tapete, um gato e um canário. Um refúgio. Aos poucos, vão desenterrando os segredos de uma linhagem marcada pelo incesto e pelos abusos, impunes e transmitidos de geração em geração; juntos, viajam no tempo, evocando o mito familiar. Paris, 1870. A cidade está cercada pelos prussianos. Dois pequenos criminosos escalam o muro do Jardim das Plantas e vendem a carne dos animais do jardim zoológico a um casal de restauradores. Abatem os animais, transformam-nos em patés e guisados ??e, assim, fazem fortuna. Com a guerra perdida e a Comuna esmagada, precisam de se reinventar. Então, decidem abrir uma loja de brinquedos. Uma estratégia de marketing, um gesto de negação: exibir o crime, ao estilo da Toys "R" Us. Ursos de peluche e girafas tornam-se emblemas de uma perversão disfarçada. Esta "maquilhagem" torna-se o "modelo de negócio" da família: a violência torna-se tradição, o abuso torna-se folclore, a impunidade passa a ser uma marca de sucesso. Mais tarde, a década de 1970 oferece um vocabulário de liberdade — sequestrado para justificar o controlo. Tudo é relativo: o que é predação pode ser apelidado de "experiência", a violação é vista como um "despertar". Para quebrar o ciclo, a mãe de Paula parte para Portugal — talvez tarde demais, talvez sozinha. No presente, Paula recolhe, reúne e organiza as suas histórias. O primo oscila entre a consciência e a negação. O matadouro, o Jardim das Plantas e a casa acolhedora tornam-se três palcos de uma mesma fabricação: transformar o irreparável num produto apresentável.
Reconhecendo a importância da horizontalidade na gestão e desenvolvimento das várias fases do projeto, os profissionais que integram a equipa artística e técnica deste espetáculo assumem o compromisso com uma maior democratização dos processos criativos e de produção, aproximando-se de práticas onde o poder é partilhado e os processos criativos resultam, essencialmente, de um esforço coletivo, onde todos os membros contribuem, equitativamente, para o trabalho, desafiando modelos hierárquicos tradicionais. Assinalando uma clara mudança de estruturas narrativas convencionais e do domínio autoral para modos de produção mais fluidos e descentralizados, alinhado com práticas contemporâneas onde os papéis dos criadores, dos performers e até dos próprios públicos se cruzam e interagem de modos inovadores, procurando promover a inclusão e a multiplicidade de vozes, o projeto afasta-se assim de uma ideia de teatro hierarquizado e demasiado centrado no texto, caminhando antes em direção a estruturas mais colaborativas e participativas.
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