Caminho do Céu | de Juan Mayorga, encenação Rita Cabaço
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- Cineteatro Louletano · Faro · PT
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Datas e disponibilidade
Sessão
21:00 · Cineteatro Louletano · Faro · PT
Sobre o evento
Descrição
É a partir de Caminho do Céu, de Juan Mayorga (a peça do autor mais produzida em todo o mundo), que Rita Cabaço propõe uma reflexão sobre a responsabilidade individual na construção do presente. Confrontada com o horror que se propaga em inúmeros lugares do mundo, a humanidade escolhe não ver e não agir, da mesma forma que o delegado da Cruz Vermelha em Caminho do Céu escolheu não questionar uma cidade encenada de propósito para a sua visita. Caminho do Céu é uma peça de inspiração histórica dividida em duas partes. A primeira conta a história de um antigo delegado da Cruz Vermelha que todas as noites reconstrói os passos do dia em que inspecionou o campo de concentração de Terezín e se deparou com aquilo a que chamou “uma cidade normal”. Todas as noites a sua memória regressa àquele lugar, repetindo para si mesmo que não podia ter escrito um relatório diferente porque nenhum prisioneiro lhe fez um sinal ou pediu ajuda. Na segunda parte assistimos à construção da mentira, orquestrada por um comandante nazi com a colaboração de Gottfried, um judeu respeitado pela sua comunidade, forçado a desempenhar o papel de Presidente da Câmara de uma cidade que não existe. Terezín foi a invenção de um engenho teatral macabro, executado por aqueles que, enquanto cumprissem o seu papel de cidadãos exemplares, podiam ter a certeza de que não iriam no comboio a caminho do céu. Viemos a saber mais tarde, por testemunhos de sobreviventes, que pouco após a sua inspeção e a gravação do filme de propaganda nazi “The Führer Gives a City to the Jews”, o campo foi esvaziado e os seus prisioneiros conduzidos para a “solução final”. “Fomos os primeiros a aperceber-nos de que se tratava, fundamentalmente, de um problema de transporte.” O Comandante, em Caminho do Céu Na encenação de Rita Cabaço, Terezín será habitada por pessoas sem experiência teatral prévia, de diversas origens e faixas etárias e residentes nas diferentes cidades por onde o espetáculo viaja. “(...) este sítio miserável, faminto, fétido, assolado pela praga e disenteria, foi transformado do dia para a noite numa bonita cidade. Começaram por construir um parque com um coreto, e neste coreto havia uma banda a tocar música durante as tardes. As pessoas passeavam no parque, melhor vestidas. Havia uma rua com um café — não havia café, mas havia um café. Havia um banco — não havia dinheiro, mas havia um banco. Havia lojas, um parque infantil e um campo de futebol. E nós sabíamos que tudo isto era falso, porque a nossa vida… as nossas rações não aumentaram. Nós percebemos do que se tratava, porque nos disseram que viria uma equipa de cinema filmar, para que o mundo inteiro pudesse ver o maravilhoso presente que Hitler dera aos judeus: uma cidade (...) A equipa da Cruz Vermelha veio da Dinamarca e registou uma cidade de fachada. Tivemos de desfilar em frente ao café e ao banco, e ouvir os concertos da banda até eles terminarem a visita. Era bastante óbvio que não acreditaram no que viram, mas foram embora na mesma. A partir desse momento, Theresienstadt foi destruída. Todos os dias, comboio atrás de comboio, o campo foi esvaziado.” Testemunho de Eric Nash, sobrevivente do Holocausto e prisioneiro do campo de Terezín
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