Ájax, de Cláudio da Silva
- Período anunciado
- de 8 de outubro de 2026 a 11 de outubro de 2026
- Local
- ZDB 8 Marvila · Lisboa
- Bilheteira
- BOL
Resumo editorial
Teatro
Cláudio da Silva retoma a tragédia de Ájax e a disputa pelas honras fúnebres do guerreiro. A criação aproxima vingança, injustiça e fragilidade individual de questões atuais sobre informação e manipulação.
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Descrição oficial
Aïas ou Ájax Telemônio ou, simplesmente, Ájax, o Grande, era, no fim da guerra de Tróia, tido como o segundo melhor guerreiro grego, apenas atrás de Aquiles. Com a tentativa gorada de assassinar Ulisses, e o seu exército, Ájax cai em desgraça e suicida-se. Mas o seu meio-irmão, Teucro, apesar da desonra do suicídio e da oposição de Ágamemnon e Menelau, decide prestar-lhe as honras devidas.
Quem, como Ájax, levado por instintos primários como oímpeto de vingança por uma injustiça, não foi já vítima de ilusões causadas seja pelas suas próprias fragilidades, por intervenção de outros ou por um acontecimento ou determinado contexto social? A era da informação ou, melhor, da descredibilização da informação e a névoa que tantas vezes envolve as suas fontes é, hoje, o contexto ideal, para o desenvolvimento e propagação de discursos políticos, medidas sociais e ideologias cruéis, injustas, anti-democráticas e regressivas. Assim, desenha-se a pouco e pouco o caminho para o total eclipse da declaração universal dos direitos humanos e da dignidade humana e dos direitos de todas as entidades vivas sencientes e, assim, se permitem, vulgarizam e disseminam actos profundamente desumanos. Como enfrentar esta era, este tempo, esta ameaça à degradação completa e abismal dos nossos valores civilizacionais?
Vivemos, pois, constantes ataques à democracia e à evolução civilizacional. A ausência de diálogo, os extremismos e o ruído ensurdecedor do nosso tempo ganham força e perpetram o seu ataque através da fragilização do pensamento e, consequentemente, do discernimento. Que fazer perante a demência social instalada, perante o histerismo manifestado no consumismo suicida e na velocidade desenfreada? Ájax de Sófocles é uma reflexão sobre os limites do poder e é também, parece-nos, uma resposta às ameaças totalitárias e totalizantes. Uma resposta que vem do fundo da nossa civilização e do berço da democracia.
Partindo do texto de Ájax, provavelmente a mais antiga tragédia de Sófocles, este espectáculo propõe-se, perante o contexto que vivemos, à apresentação de um teatro profundamente humano que, não se esgotando na re-clarificação das palavras que o fundamentam, se constrói sobre o confronto ritual entre silêncio, sombra, luz, textura, movimento e paisagem sonora, e também, sobretudo, na energia animista que o estabelece, proporcionando uma partitura generosa na distância com que convida tanto à apreensão pela sensibilidade como à reflexão sobre as estruturas mentais que seguimos reproduzindo. E, possivelmente, sobre aquelas outras estruturas que possamos ainda edificar mais ou menos na direcção dos papéis que queremos representar e ver representados no seio das nossas famílias e outras empresas de carácter omnipessoal.
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