Homenagem a Gabriel Fauré - Academia das Ciências de Lisboa
- Próxima data
- Local
- Teatro Nacional S. Carlos · Lisboa
- Bilheteira
- BOL
A carregar sessões e disponibilidade…
Descrição oficial
Este evento realiza-se | This event will take place Academia das Ciências de Lisboa Rua da Academia das Ciências, nº 19 - 1200-168 Lisboa
Homenagem a Gabriel Fauré 4 de maio, 19h
No panorama da música vocal francesa do século XIX, a mélodie afirmou-se como uma arte de câmara onde a poesia e a música se entrelaçam com particular exigência, sem que o género se confundisse com a canção sacra ou de salão que o rodeava. É nesse território que o Ciclo de Música de Câmara do Teatro Nacional de São Carlos propõe uma homenagem a Gabriel Fauré, colocando as suas páginas em diálogo com obras de Gounod e Massenet que iluminam o percurso do género e as afinidades entre três figuras centrais da música francesa.
Gounod e Massenet foram, cada um a seu modo, precursores da mélodie: o primeiro levou ao espaço sagrado a sua veia lírica, patente em Tantum ergo, sem abandonar o tom galante da canção de salão; o segundo cultivou o exotismo sensual de páginas como À la Zuecca, a par de uma melancolia concentrada que a sua Élégie tornou célebre. Fauré, herdeiro e mestre indiscutível do género, sucedeu precisamente a Massenet na classe de composição do Conservatório de Paris, em 1896, um elo institucional que este programa torna audível. Do Cantique de Jean Racine, que em 1865 lhe valeu o primeiro prémio na École Niedermeyer e determinou a sua afirmação como compositor, ao En prière e à serenidade da Pavane, o percurso de Fauré revela a fé, o amor, a natureza e a intimidade como facetas de uma mesma voz. O sagrado atravessa, aliás, todo o programa, do Tantum ergo de Gounod às páginas sacras de Fauré, funcionando como fio transversal entre os três compositores.
Entre a barcarolle, a elegia, a canção de salão e a música sacra, a homenagem revela menos uma cronologia do que uma teia de afinidades: formação, fé, amizade e legado. Em 2027, um século depois da morte de Fauré, ouvir estas páginas lado a lado é compreender como a canção francesa se construiu numa linhagem feita de discrição e exigência.
Charles Gounod Tantum ergo, Barcarolle, La chanson de la brise, La siesta, Bienheureux le coeur sincère Jules Massenet La vision de Loti, À la Zuecca, Élégie Gabriel Fauré Lydia, En prière, Au bord de l’eau, Pavane, Prière du soir, Cantique de Jean Racine